Reflexão
A súplica de um coração que apanha…
16 de junho de 2016
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Parafraseando a escritora ítalo-brasileira, Marina Colossanti: “Não devia, mas a gente se acostuma”.

Na jornada da vida, nessa busca incessante pelo nosso lugar no mundo, abdicamos de coisas muito importantes para a manutenção da própria condição perdigueira. Tomados pelo chavão do “é assim mesmo”, vemos escorrer pelas mãos e dedos, nossas essências, hábitos e até manias que são os nossos principais pilares de sustentação, nessa obra sem assinatura de engenheiros, que é a construção da nossa própria felicidade.

E parece mesmo que essa prática é muito comum, e muito bem analisada pelas mulheres. Outro exemplo de percepção sobre o fato vem da brilhante Clarice Lispector, que certa vez escreveu: ” Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”

Somos uma composição muito bem arquitetada, e estamos presentes e realmente vivos, principalmente nessas coisas que o mundo e os chatos nos apontam como defeitos, imperfeições, maluquices e etc. Quer ato de coragem mais poderoso que se assumir como é, sem dispensar nenhuma vírgula de si? Que tal adorar-se, sem o efeito Narcísico, contemplando cada fragmento do próprio ser? Há em cada um de nós, uma infinidade de possibilidades. Se existe na terra, algo que representa com perfeição a ideia de dinamismo e versatilidade, o ser humano é a exemplificação personificada mais clara disso. Vide a ideia Darwnista de adaptação ao meio como fonte inesgotável de energia e vida saudável. Mas cuidado, já que adaptar-se pode ser muito perigoso.

No afã de pertencer, de ser aceito, de não passar pelo brete estreito da rejeição, muitos de nós lançamos mão do mais precioso direito que nos foi reservado, que foi o de pertencer e gozar de si mesmo. Acredite, nada e nem ninguém, poderá oferecer para você, tamanho gozo, compreensão e prazer de estar contigo do que você mesmo e já que temos que conviver conosco mesmos, 24 horas por dia, que tenhamos de nós, o nosso melhor.

Nada justifica o rompimento de laços afetivos com as nossas qualidade íntimas. Se o intuito é o de ser incluso em determinado grupo, saiba que as pessoas que o formam, mais cedo ou mais tarde, forçosamente, terão de optar pelo mesmo que você, indagando-se da mesma forma que você o fez, ao escolher o rompimento; “vale a pena trocar isso por aquilo?”.

Essa é uma pergunta que normalmente não se atribui preço e sim, valores. Os tais valores complexos abordados nas temáticas psicanalíticas, ou a micro gestão do próprio ser, o gerenciamento da própria felicidade, da alegria de existir, pois diante da infinidade de impossibilidades que a vida tem, faz-nos pensar que se não formos de fato plenos com o que temos a título de capacidade de nos alegrarmos, não será às costas das batalhas capitalistas vida a fora, que teremos esse tipo de êxito, uma vez que se olharmos o mundo pelas suas possibilidades e distinções imanentes a sua composição, temos muito mais razões para nos acovardamos e nos deprimirmos do que nos alegrarmos. E quem aqui nunca foi realmente feliz cantando no chuveiro depois de um dia difícil? Quem nunca encontrou na bagunça da própria memória, na desordem dos milhares de pensamentos vagos, um motivo para gargalhar, uma lembrança para reviver, um motivo para repetir a vida no seguinte?

O baú da felicidade não tem chave, não valor e nem mensalidade (brincando com Silvio Santos). Este baú é o artefato mais primoroso que carregamos. Um artigo indispensável para a nossa estada nesse planeta. Um local de armazenamento e de reavivamento. De depósito de tristezas mas uma fonte inesgotável de paixões…..Ah, paixões, como seríamos felizes se acreditássemos no poder de uma paixão.

Rasgue os livros de auto ajuda. Esqueça os editorias comerciais que querem te fazer crer que na vida, há uma regra, uma lei de aplicação simplória, válida para todos e pare de crer que é preciso mudar e mudar e mudar para ser de fato feliz. Conheço pessoas que de tanto mudarem, não se encontram mais. Em meio a tantas mudanças, perderam suas próprias referências e em quem confiar quando nos perdemos?

Invista na construção do seu porto seguro pessoal, seu lugar de refúgio e de concentração e faça do seu baú, o seu grande oráculo. Todas as respostas estão ai e se não há resposta, é porque a pergunta não é para você.

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Flavio da Luz

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