Filosofia Vida
De costas para mundo….De frente para si.
16 de junho de 2016
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De todas as maneiras possíveis e conhecidas para uma tomada de consciência acerca de si, nenhuma delas é tão eficaz quanto o refugo as normas e práticas sociais vigentes. Auto lá, cidadão! Não estamos incitando uma anarquia, nem mesmo sendo oportunistas e aproveitando o momento de fragilidade e alta tensão sócio política do país para promover uma guerra civil. Estamos falando em âmbitos filosóficos, voltados para o melhor auto conhecimento e o aprimoramento da condição humana, nada mais.

Via de regra, as aglutinações desenham um cenário muito comum ao redor do mundo. Normalmente não passam de uma representação ideológica, ressonante em mentes e corações a procura de uma razão para viver e/ou lutar, vide os nossos instintos, que parece conservar essa pecha em sua composição, nos inquietando perante a vida. É como se, se não tivermos algo pelo que lutar, defender, brigar, articular, ponderar, considerar ou simplesmente, acreditar, a vida estará vazia, totalmente esvaziada de significados. O corpo e suas funções, muitas delas ainda remanescentes do passado pré histórico, reclama essa falta e não se satisfaz com o poderio intelectual desenvolvido ao longo dessas eras e faz da mente um perdigueiro, um caçador de algo para movimentar essa massa inerte. Logo, entender que as reuniões e concentrações de massas, principalmente as de cunho político, por abrangerem de forma macro, as questões sociais, viram o campo predileto para essa questão delicada, intrínseca ao bicho homem.

Não estarei exagerando, embora reconheça que isso soe um tanto deselegante e “pesado”, ao falar que concordo com o saudoso Nelson Rodrigues que dizia: “Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade, não precisa pensar.”

Sabemos e seria um ato ingênuo, desmentir que não há uma totalidade e nem uma maioria absoluta, de pessoas capazes de organizar seus raciocínios acerca de ideias políticas, religiosas, filosóficas e etc. Isso não é, por si, um grave defeito, a despeito de termos sim, hoje em dia, uma grande facilidade de alcance e acesso a informações de toda ordem, principalmente as que visam o ensino e a educação. Acontece que nem todos os vivos no mundo de hoje, são contemporâneos ao crescimento desse modo de viver. Embora acessível à jovens e idosos, homens e mulheres, crianças e adultos, indistintamente em sua maioria, a afinidade com o processo é individual e mecanizada, passando pelo automatização, apenas naqueles que vieram ao mundo em meio a essa revolução informativa. Não à toa, vemos um número cada vez maior de jovens ocupando cargos de pessoas que até pouco tempo atrás, precisavam ter cabelos brancos para comprovar segurança e capacidade para tal função, vide os juízes, bons advogados, médicos e etc.

No entanto, vide esse deslocamento de massas, desniveladas pelas posições sócio culturais que ocupam, abriu-se um campo emergente para o surgimento de oportunistas e criadores de factoides sociais, que visam tão somente o vil da situação, que é a aglutinação de pessoas, o aglomero e ajuntamento de massas, que historicamente representam a força de um povo ou de uma sociedade que seja.

Compõem essas massas, pessoas cuja fragilidade ideológica ou insegurança existencial, não permitem alavancar suas próprias ideias, que muitas vezes são sim nobres, mas que frente aos sentimentos de acovardamento, se camuflam de multidão e preferem repetir a fala dos ousados e atrevidos. Dessa maneira, fica um pouco mais difícil acreditarmos no ordenamento, na recuperação da organização sócio política de um país, haja vista estas condições aqui apresentadas.

Se ao invés de formarmos grupos tidos como justiceiros, fossemos capazes de organizar grupos intelectuais, com tons eruditos para uma ação formal de reivindicação de direitos e de reestruturação sócio política, visando apenas mitigar as sanções aplicadas ao povo, à nação como um todo, estou certo que os avanços seriam muito maiores e se apresentariam com maior eficácia.

De forma alguma abomino as manifestações populares, com seus cartazes, faixas, bloqueios de ruas e avenidas, embora para mim, essa é a forma mais truculenta de tentar sanar os mecanismos insalubres perpetrados nas áreas governamentais e regenciais deste nosso solo pátrio.

Eu acredito e sou a favor desse país. País de povo bom, trabalhador, em sua maioria honesto e buscador do melhor para si, através do próprio esforço. Um povo que dribla as dificuldades impostas à ele com bom humor, com sagacidade, com solidariedade, mas que sofre a falta de um pouco mais de conhecimento, seja de suas forças, seja de seus direitos como de seus deveres.

Eu quero um país melhor. Um país que não defenda um partido, que não idolatre um gestor público, um país que exija, através de seu povo e suas leis, competência, transparência e melhor qualidade de vida para todos. Um país onde politicar seja tão nobre como salvar uma vida. Quem sabe, com essa geração atual, mais antenada, voltada ao auto conhecimento e a aplicação de seus direitos não tenhamos, em prazo surpresa, gratas melhorias. Pois assim acontecendo, o povo brasileiro como um todo será o grande beneficiado e todo aquele que precisou dar as costas, ainda que por tempo determinado, para o mundo, no intuito de se enxergar e se entender, de frente pra si, possa retornar, de peito aberto a essa casa ambiental que chamamos de planeta, pronto para lutar, sem derramar sangue, por condições de vida mais dignas para todos.

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Flavio da Luz

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