Filosofia
Onde está a nossa força?
16 de junho de 2016
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Em mais profunda análise, retifico o dogma secular de que a força está mais presente nos mansos. Há uma profusão solidificada na compostura dos odiosos que não permite a clareza e a transparência certificadora dessa premissa cultural.

Há considerar que os odiosos e rancorosos são aqueles cujo espírito de progresso existencial é frugal, e que suas derrocadas surgem quando já não há mais espaço para sua permanência sadia na sociedade que habita, podemos certificar que estes são mais fortes.

Indivíduos de coração mais brando, de atitudes inteligíveis, de propensão à análise e a projeção do lugar alheio, embora ainda revoltos com os acontecimentos que promovem injúrias e indignações – esta no sentido de fazê-lo indigno -, são seres fragilizados, corroídos facilmente pela ação destrutiva daquele que persegue suas vinganças com afinco, com a fidelidade de um cão de guarda, que morre preso aos seus princípios, ainda que eles nem sempre sejam de fato justificáveis ao meio.

Pessoas com características pacificadoras são fracas, não conseguem manter no coração, a chama ardente da vingança, da maldade, da crueldade, o que os tornam presas fáceis, corrompíveis pelo dolo da tristeza, do abandono. Contudo, sob o prejuízo de viver mais com a chancela do aprendizado, ideia este impregnada pelas doutrinas religiosas, termina sua existência já em decrepitude, abraçando a senilidade para confortar as ausências biológicas que jazem com injustiças sofridas. Justiça, ela há?

moreA vida, em sua grandeza e plenitude, nos mostra que ser forte, ao contrário do que Darwin afirmava, não é só se adaptar bem ao meio, mas é subverte-la em causa própria, é significa-la em favor dos propósitos pessoais, é reificar, em uma analogia Marxista, dando ao inanimado, improvável, a circulação esférica proporcional ao desejo, ao ímpeto, que mais tarde a história chamaria de ambição, palavra que rege a matriz capitalista de hoje e por conseguinte, a individualidade sistêmica de cada cidadão.

Em um mundo desproporcional, disforme em suas imensas possibilidades, justo apenas nas teorias que sustentam doutrinas e preenchem seminários, fortes e fracos digladiam-se não pelo seu espaço, seu quinhão ou pela sua sobrevivência, mas sim, pela dignidade de viver em harmonia em um hábitat potencialmente forte para permitir a prevalência da soberania animalizada frente a fragilizada intelectual, sob alegações diversas, embora tendo a maioria apoiada sob o sentimento de medo do tempo finito.

Submeta o homem ao escrutínio moral e ético, de uma vida pautada pelo justo e verás que esse conceito só serve e existe para normatizar relações, propositalmente interessadas em um objetivo comum, unificado na persona da liderança e empurrado pela força da empatia, da compatibilidade, da gana pela vitória e desejo de supremacia.

Em última análise, considere forte aquele que consegue passar sua vida carregando consigo os sonhos atrozes, torturadores, usurpadores do desejo de vida daqueles que optam por andar mais vazios. Não há, efetivamente, como combater esse mal, exceto pelo desprezo e pela manutenção de uma distância segura, afim de evitar contaminações e lesões.

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Flavio da Luz

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