Filosofia
A morte significando a vida.
20 de junho de 2016
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É desnecessário salientar o exuberante trabalho pedagógico e didático que o mestre Leandro Karnal tem feito pelo Brasil, compartilhando toda sua bagagem, seu conhecimento, suas pesquisas e sua sabedoria conosco, e aproveitando um de seus tantos e belos materiais expostos pela internet, valho-me dele para robustecer este pequeno escrito.

A morte é ainda um dos grandes, senão o maior mistério para o ser humano. Há uma infinidade de conceitos, teses, teorias, ideias, suposições, fantasias e estudos científicos sobre o caso. No entanto, parece-me que só encontramos conteúdo suficientemente satisfatório para a angústia do tema, quando falamos da morte poetizada, da morte como estágio pré embrionário, da morte como leito reparador. Do ponto de vista biológico, bioquímico, a morte é o ponto final da vida material, orgânica. Em palavras médicas, é a falência dos aparelhos que gerem, produzem e mantém a vida em funcionamento. Já para as religiões, a morte tem conceitos distintos, de acordo com a teologia e ideologia seguida por cada uma delas.

Para o cristianismo, de modo geral, a morte significa a transição e o juízo, ponto onde os seres vivos deixam para trás suas indumentárias materiais e adentram ao céu ou ao inferno, de acordo com o que obedeceu do manual cristão pregado nas igrejas, liturgias e demais atividades do segmento.

Para o espiritismo, a morte é um estágio, um ato de tempo inestimado, totalmente dependente do grau evolutivo do cidadão que até ela chega, junto também, do carregamento moral/espiritual que desenvolveu ao longo de sua passagem pelo planeta. Após o evento morte, o indivíduo despido de sua matéria densa – corpo humano – continua sua trajetória em outras paragens possíveis, em outros mundos imagináveis, em busca do eterno aprimoramento intelectual, moral e espiritual.

Os adventistas, por sua vez, creem em algo como: “O retorno do salvador”. Sua morte estabelece o fim de tudo e o seu corpo, agora jazido, aguarda o regresso do ser, da divindade, da figura que virá até o planeta e aplicará o juízo final, concedendo aos bons de coração, os céus e aos maus de coração, o castigo eterno.

A ciência por sua vez, não apresenta definições que vão além do que acontece com o corpo em seu estágio de decomposição. Limita-se a publicar apenas estudos que oferecem uma compreensão sistêmica do passo a passo da morte, desde o enfraquecimento dos órgãos vitais, as consequências do fato, a sucessão de eventos e a possível mecânica da obra.

Não dá pra falar sobre todas, pois são muitos os significados. Hinduísmo, Budismo, Islamismo, sem contar as vertentes; teístas, politeístas, neopentecostais e etc. O fato é que independentemente da representação religiosa do ato, a morte deve representar algo um pouco mais profundo em nossas individualidades; o fato de nos acender a ideia de que um dia não teremos uma nova chance.

Um dia o sol não despontará, não haverá novo alvorecer, um novo anoitecer, você, eu, todos nós, não retornaremos para casa, não abraçaremos nossos filhos, não veremos nossos cães, gatos, bichos de estimação; não veremos a cara do vizinho pelo qual conservamos rancor, não ouviremos más notícias na TV, não ligaremos o rádio na estação preferida, não dirigiremos o próprio carro pelas ruas, avenidas e estradas, não nos olharemos no espelho, não beberemos um banho revigorante, não nos alimentaremos com a comida que mais nos satisfaz…. Um dia, não terá novo dia. Um dia, você não poderá dizer para sua mãe algo do tipo: “depois eu faço, mãe!”

Quero chamar a atenção de você, dedicado leitor, para a importância transcendente a qualquer atividade de auto ajuda que você já tenha consumido. Quero convidar você a pensar sobre um fato real, tangível e não transferível de sua vida e responsabilidade, que é o seu fim.

Abrace, beije, chore, cante, ouça sua música, leia seus livros, assista seus vídeos, peça desculpas, não acumule rancor, não tenha maus pensamentos…Não, não estou aqui pra manualizar ou ditar uma maneira de você fazer desse intervalo entre nascimento e morte, um período imaculado, vívido, de alegrias pluralizadas, pois a tristeza, a angústia e algumas doses ordenadas de sofrimento ajudam e muito a dar grande significado a vida e seus momentos de júbilo e prazer. Quero apenas te ajudar a não esquecer que embora pareça um conselho desses muito encontrados em literaturas “Paulo Coelhanas”, se trata apenas de uma convicção própria desse escritor, que pela experiência adquirida até o presente instante, em meus quase 40 anos de existência, posso te afirmar, sem sombra de dúvida, que até mesmo no mais singelo e óbvio compêndio classificado como livro de auto ajuda, há razões em potencial para aplicar as sugestões de viver mais leve e mais próximo de sentimentos e pensamentos que nos tornam mais tranquilos e serenos.

Acho que a vida é um movimento diastólico constante, de grande expansão, e a morte, um momento sistólico, de retração, de recolhimento, de introspecção e profunda análise, o que me faz pensar que podemos nos preparar para morrer desde já. Enquanto a vida se expande, levando-nos ao colapso, podemos nos retrair, esporadicamente e assim, desenharmos um possível e não tão doloroso desfecho, uma vez que, como Karnal muito bem apresenta no vídeo que é parte desse material, a morte é inevitável, logo, não é possível temê-la.

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Flavio da Luz

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