Reflexão
A propensão ao julgamento demente.
20 de junho de 2016
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Debilidade – Segundo o dicionário da língua portuguesa, um de seus significados é a ausência de plenitude de condição ou potencial; fraqueza moral, entre outras. A debilidade é o eixo deste solilóquio.

Débeis, vide a cultura e o folclore popular, são os cidadãos desprovidos de parâmetros associados ao comportamento social comum, tidos como “normais”, facilmente atribuído aos portadores de necessidades especiais, doenças mentais e distúrbios. Analisando uma pequena cadeia de acontecimentos atuais em nossas sociedades, tanto as macro como as micros sociedades, passou a pairar em mim, uma imensa incerteza acerca destas definições, uma vez que a julgar que os não débeis, ou normais se preferirem, acusam, apontam, ultrajam e segregam os classificados como débeis, onde está então, o cerne, o ponto de equilíbrio que faculta aos “privilegiados” o gozo da condição de “perfeitos”?

Diante dos fatos corriqueiros em nossa sociedade, fica difícil afirmar que um indivíduo classificado como perfeito, seja usufrutuário da chancela de retirar de seu convívio, justo aqueles que mais precisam de suas faculdades mais apuradas. Na minha opinião, isso é um gigantesco significado de fragilidade mental, de impureza .

Dentro do mesmo viés, ou seja, dos diálogos sobre condenações, encontramos igual disparidade e irracionalidade em gestos mais sutis. Vou tentar exemplificar o pensamento com indagações singelas: Você valoriza um ensinamento oriundo de alguém que não tenha em seu curriculum uma expressiva passagem por grandes empresas ou faculdades, mesmo reconhecendo uma certa complexidade e coerência nesta fala? Ao passar pela rua, te impressiona o homem vestindo um traje completo – terno e gravata -, ou você procura conhecer os olhares, posturas e outras formas de expressão? Você valoriza o que dizem seus pais?

Creio que deva ter ficado bem explícita a ideia matriz desse enunciado. O mote dessa discussão está sobre os princípios que foram construídos ao longo das décadas e que estão impregnados em nossas estruturas psicossociais, distanciando-nos, progressivamente, de um melhor entendimento acerca das posturas e atividades que deveriam nos unir e não nos afastarmos uns dos outros. Uma vez edificada uma estrutura mental sobre o alicerce segregacionista, separatista, ideologista, racista, separatista ou seja lá qual for o formato adotado, teremos cada vez mais conflitos de gerações e cada vez mais construiremos raças ao lugar de dissipar essa ideia destrambelhada de nosso manual de vida.

É preciso desconstruir para poder progredir. Gastarmos, ou melhor, investirmos um tempo de nossa existência, para repensarmos com maior minúcia e riqueza de detalhes, os fatores que nos levam a olhar para o nosso semelhante e sacrificar o seu melhor em detrimento do desencaixe do estereótipo por nós construído. Não é mais possível admitirmos que os diplomas façam as vezes da qualidade; que a estampa bem cuidada seja suficiente para abrir portas, que só consigamos absorver algo de bom se a oferta for proveniente de pessoas e coisas que obedeçam a padrões estéticos e cosméticos.

Está mais bem preparado para a vida, aquele que não dissimula em favor da manutenção da boa conduta. O ser preparado para a vida, a vê pulsando em tudo que pode tocar, ver, sentir e todas as suas manifestações vibracionais. Quantas boas palestras deixamos de assistir por não simpatizar com a entonação e postulação vocal do indivíduo? Quantos bons filmes deixamos de ver por não nos agradarmos do seu cartaz? Quantos livros maravilhosos deixamos de ler por duvidarmos da capacidade do autor? E o pior, quantas boas vidas deixamos de viver, acreditando que a vida não vivida a pleno é a única condição possível para se existir?

Torço pelo abandono rápido dos manuais padronizadores da vida e sobretudo, para que passemos a esmiuçar nossa infindável capacidade de aprender e crescer, que está longe de ser algo polarizado e que pulsa e clama apenas pelo nosso querer.

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Flavio da Luz

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