Política
A reforma que passa por cada um de nós.
22 de junho de 2016
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Tempos turbulentos balançam as estruturas políticas tupiniquins. Parafraseando Luis Inácio Lula da Silva, “nunca antes na história desse país se viu tanta roubalheira.” Antes fosse só roubos o nosso problema político.

No centro das questões sócio políticas, encontramos um núcleo muito adensado e pasteurizado de problemas de ordem moral e ética, que afetam diretamente toda a malha que parte deste núcleo. Em uma mistura que transborda o caldeirão da tolerância, criminosos de toda ordem e periculosidade, vestem roupas de grife, se postam por detrás de púlpitos e vociferam verborragias que chegam a doer  os ouvidos e agredir a mais parca inteligência. No poder, estão pessoas incapacitadas para gerir absolutamente nada, quiçá serem representantes do povo, gestores da máquina pública.

Por conta dessa subversão de valores, encontramos ocupando os cargos que deveriam primar pela qualidade e pela ilibação, pessoas que de tanto dar errado na vida, acabaram virando políticos, fortificando a sensação que hoje é de muitos, de que ambiente político é lugar para vassalos e deliquentes, isentando seus postulantes de capacitarem para missão que deveria ser de extrema nobreza.

Em nossa cultura, não é difícil identificarmos pessoas que foram criadas às luzes de ensinamentos que priorizam o respeito pelas coisas de outrem, as condicionando a zelar, primordialmente, por tudo aquilo do qual fossem usufrutuários, beneficiários ou meros depositários confidentes, o que em nenhum momento os permitia serem relapsos e negligentes com tudo aquilo que possuíam e chamavam de propriedade.

Cargo ou função política, a despeito do exemplo acima, não é uma propriedade. É uma condição, vezes permanente, vezes temporária, que existe ou que deveria existir, apenas para melhor possibilitar a administração dos interesses de todo um povo, podendo ser a qualquer instante, extinto ou ampliado, de acordo com as reais demandas.  Dito isto, o que vemos é exatamente o oposto nas práticas partidárias. Política passou a ser um dos grandes negócios, uma das grandes empresas, cujas não possuem nada, mas administram tudo e desse tudo, angariam largos recursos e lucros. Veja, quanto estamos distantes de podermos sequer, traçar uma linha racional entre os erros do momento em relação às premissas históricas do mandatário público! Quanta subversão existe na atual administração pública. É de horrorizar a quantidade de pessoas que se assemelhem e que se unem em voz e atos, se arvorando sobre a máquina do povo, no intuito claro de tomar posse das divisas produzidas e geradas por uma imensa maioria justa e que talvez não possua o entendimento mínimo necessário para se organizar e cessar esses movimentos grosseiros.

Me assusta em demasia, toda vez que vejo jovens organizando motins – eles chamam de manifestações – produzindo produtos de mídia, levantando bandeiras ideológicas com precedentes nefastos, historicamente, reavivando lembranças de tempos que sequer viveram e que julgam ser a panaceia social. Abusam da capacidade criativa em estruturar campanhas, servindo de palanques itinerantes, levando, por onde passam, um germe proliferante, uma bactéria corrosiva, que pouco a pouco, está aniquilando com o povo inerte. Política não é o que temos. O que temos e vivemos atualmente, é uma usurpação desmedida, um genocídio da moral e da civilidade, um misto de processos e regimes administrativos, que “corporativizam” o erário, transformando trabalhadores honestos em reféns de gananciosos cidadãos de mau caráter.

Precisamos falar mais sobre política, sobre filosofia e sobre história em nossas escolas, faculdades, cursos e todo veículo de ensino. Precisamos desestruturar essa proposta longeva, que insiste em perdurar em nossas mentes, fazendo-nos crer que as coisas são do jeito e forma que se apresentam. Precisamos unir mentes dispostas e já capazes de compreender que passos mais largos e alvissareiros precisam ser dados para romper esse enfadonho sistema sem rótulo definido que nos comanda e nos aprisiona. É dessa maneira, incutindo aos poucos ideias sustentáveis, que araremos o solo fértil da reviravolta, do retorno ao crescimento, da posse de condição de existência plena e digna, a qual todo cidadão de bem merece e precisa para viver e conduzir sua existência.

Em meio a todo o caos que se apresenta e que tem sido descortinado, como nunca antes feito, eclode a certeza que é preciso aproveitar a bagunça, a casa revirada, para recolocá-la em ordem de uma maneira diferente, mais limpa, desfazendo-se de algumas coisas, aproveitando outras já consolidadas e as emergentes, que por sua vez são promissoras, nos fazendo olhar para um horizonte positivo.

A reforma política que tanto queremos, passa, incondicionalmente, pela reforma postural, ética, moral e cívica de cada um eleitor, de cada um cidadão, sendo mais justos com os propósitos e ações que gostaríamos de ver exemplificadas por nossas lideranças, afinal, independentemente de ser ou não patriota, é gostoso orgulhar-se de ser bem representado, seja na sua casa ou em outro país.

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Flavio da Luz

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There are 2 comments

  • Sandro disse:

    Excelente máteria

  • Sandro disse:

    Excelente máteria,ótima

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