Filosofia
Desconstruindo um conceito…
3 de julho de 2016
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Há um momento na vida em que as energias que usamos para tomar decisões ou fazer escolhas já não estão mais presentes como antes, ou melhor, jazem distantes muitas vezes. Quando essa fase chega, tendemos a entender algo muito sábio: Nossa integridade está a frente de toda e qualquer decisão ou necessidade de tomá-la.
 
Não é incomum nos sentirmos contra a parede, pressionado por algo ou alguém. Vivemos de-pressão e estar pressionado, embora tenha significado diferente de estar deprimido, possuí características muito similares, em muitos casos. Quando a decisão exige muita energia, muita arquitetura e muita previsão de variáveis, naturalmente, extraímos tais potências de lugares que deveriam estar sendo ocupados por outras tarefas, via de regra, regenerativas, reconfortantes. Como não é possível ter prazer com o que nos assalta a paz e o humor, nosso estado psíquico sofre alterações para baixo, que nos confunde em estado emocional, fazendo com que um momento de escolhas transforme-se em momentânea depressão.
 
Quando amadurecemos, normalmente, invertemos as prioridades e deixamos de polarizar essa fase. Ou seja, lançamos mão do dever de optar por uma ou outra coisa e nos colocamos um patamar acima, em posição reverenciável, donde precisamos ser consultados de acordo com parâmetros que contribuam e influam tão somente no bem estar geral, não tolerando nenhum tipo de posição que permita esse evento. Logo, podemos presumir que, antecipadamente, nos distanciamos de possíveis problemas e de escolhas auto condenáveis.
 
Possivelmente, é nesse estágio da vida em que iniciamos um processo de auto descoberto e auto conhecimento muito elevado. É um momento onde nos fazer mal já não é algo efêmero, recuperável com duas ou três acertadas opções vindouras. Qualquer tipo de situação que nos constranja ou que infeccione em nós, aquelas feridas que cuidamos e medicamos, paliativamente ao longo da vida, não são mais bem recebidas ou observadas. Necessitamos de zelo, de carinho e já não é mais possível optar por algo que macule a própria inteligência.
 
Algumas ciências atribuem a esse evento o nome de consciência. Eu, modestamente, acredito que seja um resumo inteligente, porém, a multi complexidade da vida e suas coisas, me fazem crer que esse não é nada mais que uma inferência sintetizada de muitas e muitas vivências, gloriosas e não, produtivas e não e que na iminência de transformá-las em livros de conteúdo massante, romantizaram-na,
 
O filósofo alemão Friedrich Nietzsche escreveu no livro ‘Além do bem e do Mal’, o seguinte aforismo: “Ao mais forte de nossos instintos, ao tirano dentro de nós se sujeitam não apenas nossa razão, mas também nossa consciência.”
 
Essa é uma das razões de eu problematizar e encorpar esse resumo tragicômico da consciência pura e simples. Sua construção está alinhada a perfis de caráter, que desde os primeiros traços, adquiridos nas primeiras infâncias, juntam-se aos moldes da personalidade e andam de mãos dadas, com toda e qualquer atividade social que tivemos ao longo de nossas trajetórias. Aliado a isso, status econômico, intelecto e predileções inatas ajudam a compor o cenário intitulado pobremente de consciência. Aos 40 anos de vida, atribuir uma escolha a esse fator, é desprezar por completo, todo passo dado até então, toda a própria história, lutas, conquistas e derrocadas.
 
Se eu pudesse lhe dar um conselho, eu lhe diria o seguinte: Jamais, em hipótese alguma, despreze o seu esforço empreendido em constituir um ato pessoal, solitário, do qual você possa amanhã se orgulhar ou não, pois não é a consciência o norte perfeito para assertividade da vida e sim, seu baú, seu oráculo de consultas, o qual lhe permite optar por uma coisa ou outra em alguns momentos da vida. Faça de cada passo dado, um tijolo na construção do seu bem maior, que é a sua própria escada de ascensão.

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Flavio da Luz

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