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Ideologia, eu quero uma pra viver? Início de um debate
31 de julho de 2016
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O que é essa tal ideologia? Isso é bom ou é ruim? Se tenho uma ideologia sou um indivíduo melhor ou sou um alienado?

A ideologia tem distintos significados, alguns são até mesmo contraditórios. Não podemos negar que essa é uma palavra frequente entre os que adoram “despejar” sapiência. Se prestarmos atenção escutaremos o conceito surgir em diversas rodas, ainda mais se essas rodas se pretendem intelectualizadas. É um termo pomposo que fascina, estimula muitos indivíduos a clama-la cheios de fervor, esses repetem: “- Eu tenho uma ideologia”, “- A sociedade precisa de ideologia”, “- Eu sigo essa ideologia”, “- Fulano não tem uma ideologia de vida”, entre outras frases que dão ênfase e valorizam o substantivo.

A tal da Dona Ideologia, aqui no Brasil, conquistou até o Rock Nacional, foi faixa-título do álbum musical do cantor conhecido como Cazuza e tema da música que ganhou o prêmio de melhor canção; essa discorre sobre um garoto que queria mudar o mundo (o próprio cantor), mas que no momento se via frágil, diante de vários fatores da vida, o principal era viver em um país sem ideologia definida. Porém, será que não havia uma ideologia definida, circunscrita e bem ativa nesse momento no Brasil?

Essas são questões interessantes para começarmos um diálogo sobre a Ideologia, temática fascinante por toda a complexidade que a compõe e pela própria dificuldade, mas, necessidade de enfrentá-la, conhecê-la e iluminá-la; justamente, no momento em que o mundo está atormentado por uma série de conflitos ideológicos, que se evidencia nos terrenos do conhecimento e da própria prática da vida política e cotidiana. Há uma enorme “inflação do discurso” que só faz confundir e desorientar o conceito de ideologia. Academicamente no campo da filosofia, detidamente na “Sociologia do Conhecimento”, o debate é amplo, então vamos trazê-lo de modo mais claro e sucinto para o ambiente virtual, o que envolve um público bem mais amplo.

É interessante colocar aos leitores que a Ideologia é aquilo que está na frente de diferentes contextos, pois aparece de modo claro. Trás com ela símbolos, signos, imagens e propostas, geralmente é hegemônica fazendo com que as pessoas se engajem. É um discurso que apesar de buscar a universalidade, se torna rarefeito tanto em seu sentido, quanto no seu significado se for endossada por todos (parece complicado, não?).

Complicado ou não vamos seguir adiante. Do mesmo modo que democracia, liberdade, política, sociedade e cultura são termos bem conhecido em diferentes âmbitos da sociedade, são correntes nas Ciências Sociais e percorrem a sociedade humana há milênios, o conceito de Ideologia também. Todavia, com uma e importante ressalva, a ideologia, ao contrário do que pode parecer, não existe há milênios, é um termo novo, uma palavra que não tem mais de 200 anos, foi inventada no final do século XVIII – momento em que vivia-se ainda o espírito da revolução francesa. Veremos isso mais adiante.

Ideologia em seu sentido literal é o estudo das ideias.Vejamos o que dizem os dicionários:

Dicionário Priberam da língua Portuguesa:

Ideologia – s. f.

(ideo- + -logia)

  1. Ciência da formação das idéias.
  2. Tratado sobre as faculdades intelectuais.
  3. Conjunto de idéias, convicções e princípios filosóficos, sociais, políticos que caracterizam o pensamento de um indivíduo, grupo, movimento, época, sociedade (ex.: ideologia política).

Dicionário Michaelis:

Ideologia

i.deo.lo.gi.a

sf (ídeo1+logo2+ia1) 1 Filos Ciência que trata da formação das ideias. 2 Tratado das ideias em abstrato. 3 Filos Sistema que considera a sensação como fonte única dos nossos conhecimentos e único princípio das nossas faculdades. 4 Maneira de pensar que caracteriza um indivíduo ou um grupo de pessoas: Ideologia socialista. Var: ideologismo.

Para simplificar, é desse jeitinho: ideo + logos, em que “Ideo” = ideias e “logia”= ciência ou estudo de algum fenômeno. Como observamos se ideologia está na zoologia das formações de ideias então toda e qualquer ideia produzida pelo Ser seria nessa direção ideológica (se assim fosse não poderia ao mesmo tempo representar um grupo específico de ideias, já que de antemão representaria a universalidade das ideias produzidas). O nó górdio diante do termo aparece justamente no processo de inversão da palavra, quando essa ao invés de representar o conhecimento sistemático do fenômeno passou a significar o próprio fenômeno estudado. Seria algo assim: a metodologia ao invés de significar o estudo dos métodos passou a significar o próprio método (EAGLETON, 1997, p. 65). Logo, a ideologia que era o estudo científico das ideias humanas, passou a significar o próprio sistema de ideias. Nesse caso um ideólogo ao invés de ser um estudioso das ideias passou a ser alguém que as expunha, alguém que formula as ideias, exemplo, um ideólogo da esquerda ou das classes dominantes. Justamente daí nasce a contraposição entre a ideologia e a ciência, embutida no próprio termo, no sentido em que a ciência passa a afirmar que as ideias que existiam até esse momento no mundo eram formas de enganar as pessoas negando o acesso ao conhecimento real que somente poderia ser obtido a partir da análise da origem das ideias e da sua raiz material. Essa ambiguidade percorre toda a análise da ideologia.

Vamos facilitar a compreensão recapitulando o panorama histórico do termo. De acordo com Terry Eagleton (1997) a palavra aparece pela primeira vez em escritos de 1815, feitos por Antoine Destutt de Tracy – que cunhou como ideologia o estudo do princípio das nossas faculdades, ou seja, da formação das nossas ideias. Era assim concebida como um tipo de ciência das ideias, que dominava todas as outras. A inversão desse significado, que lhe confere sentido crítico, veio com Napoleão Bonaparte que irritado com a análise e crítica que os “ideólogos” faziam as suas ideias políticas dá ênfase a uma definição pejorativa. O significado negativo atribuído pelo imperador ao vocábulo foi encampado, em seguida Marx e Engels o conceituou como um mascaramento da realidade. Nessa linha Marx desenvolveu toda uma teoria para explicar a problemática da ideologia.

Em seu aparato teórico Marx coloca que a própria construção do conhecimento é algo complicado pois no mundo real o que “parece ser”, nem sempre coincide com o que realmente é. E os sujeitos que constroem o conhecimento, não raro, esbarram em conflitos de interesses e em armadilhas que eles mesmos não se dão conta. Com a complexificação das relações no mundo moderno, veiculadas pela inserção do modo capitalista de produção – que ampliou as trocas e abriu fronteiras transformando toda a noção de tempo e de espaço; enxergar a sociedade de um modo mais abrangente se tornou um grande obstáculo, nesse ínterim “análises” foram e são construídas através de uma perspectiva totalmente “parcial” e aí reside a Ideologia.

Leandro Konder (2002) faz uma síntese esclarecedora da já conhecida perspectiva de Marx para explicar a ideologia, recorreremos ao ponto principal do resumo em que o autor explana sobre o fato das relações na sociedade capitalista se darem, majoritariamente, por intermédio da mercadoria. Tudo em nossa sociedade tende a se tornar mercadoria (nos dias atuais alguém duvida que o corpo feminino esculpido na academia é uma mercadoria valorizadíssima nas páginas da playboy? Até Marx se assustaria, alguém duvida que morar em frente a uma paisagem litorânea é bem mais caro porque a paisagem é mercadoria? Alguém duvida que o bebê da modelo Luciana Gimenez por um período se converteu em uma mercadoria de grande valor que foi negociada pela mãe e pela mídia brasileira, em distintos usos, em troca de moedas por ser filho do grande astro do rock Mick Jagger? Mas, voltemos ao texto). Nas relações de troca o trabalhador vende como mercadoria a sua força de trabalho, essa força é negociada e trocada pelo salário, o que dá a impressão de ser uma troca equilibrada. Na realidade essa troca é sempre muito injusta para o empregado. E é a ideologia na forma de “fetichismo da mercadoria” que camufla essa desigualdade.

O mercado oferece à nossa contemplação um espetáculo de mercadorias, coisas e objetos valorizados que suprimem o ser humano. E esse espetáculo de mercadorias influencia, sobremaneira, as relações sociais. As pessoas falam; a crise está aí, o feijão subiu, o ônibus aumentou, a economia está quebrada, o açúcar sumiu, etc. Como se todas essas categorias fossem autônomas, como se não fossem manipuladas e ordenadas socialmente por pessoas, por certos indivíduos, parece que existe um mercado autônomo como se fosse uma força divina, esquecem que o mercado é uma construção organizada por indivíduos que o manipulam e o ordenam. Nas palavras de Konder (2002) “os sujeitos que movimentam os objetos desaparecem”.

Na mesma linha de pensamento está a contribuição de Terry Eagleton ao afirmar que “o que induz homens e mulheres a confundir-se, de tempos em tempos, com deuses ou vermes é a ideologia” (1997, p. 12). A ideologia se estrutura quando a condição de ser oprimido tem algumas pequenas compensações, e é aí que estamos dispostos a tolerá-la, caso contrário nos revoltaríamos contra ela. O opressor mais eficiente é aquele que persuade os que vivem sob as condições de opressão a amar, desejar e identificar-se com o seu poder (um exemplo seria o empregado, diante de todas as limitações que lhe é imposta, assumir o discurso do empregador; outro exemplo são os “favores” de vínculos empregatícios em que o contratado realmente acredita que deve um favor a quem lhe empregou sujeita-se em alguns momentos até a situações humilhantes, esquecendo-se que está numa relação de troca em que ele não está devendo nada pois está dando diariamente o melhor que tem em si, sua mão de obra. Enfim essa persuasão acontece por meio de compensações, possibilidades, abertura do oprimido em também exercitar o poder sobre outros grupos, etc). Nesse cenário para apreendermos uma situação de mascaramento de realidade é preciso termos em conta nosso papel político que está diretamente ligado a um contexto emancipatório. E a emancipação política envolve a mais difícil forma de libertação, que é a de nós mesmos. Ou seja, a destruição daquilo que em nós nos liga às condições de escravidão e opressão.

Só que para uma crítica à ideologia é necessário que as intervenções feitas façam sentido para o próprio sujeito que foi enganado. Eagleton (1997) revela as afinidades entre a crítica da ideologia e a técnica psicanalítica do criticismo. Analisa o criticismo (que indica onde o sujeito está colocado em seu contexto social, atacando sua posição exterior) na sua acepção iluminista, a crítica (que indica para além da situação atual, revelando que as mudanças reais só acontecem com transformações materiais) em sua interpretação marxista. Ambos, no que tange ao desmonte das ideologias dominantes, partilham da confiança na natureza moderadamente racional do humano. E assim supõem que ninguém jamais está inteiramente iludido, que até os que vivem sob opressão nutrem esperanças e desejos que só poderiam ser realizados pela transformação das suas condições materiais de existência. Como ninguém é, ideologicamente falando, um tolo completo as pessoas oprimidas aprendem a sê-lo. Alguém que fosse totalmente vítima da ilusão ideológica sequer seria capaz de reconhecer uma reivindicação emancipatória sobre si mesmo.

Agora pergunto: O que é ideologia? Eu quero uma ideologia para viver?

A ideologia enquanto um instrumento que está diretamente ligado às relações de poder, principalmente como algo que é colocado como natural, cultural e biológico vai variar sua função de acordo com quem está privilegiado nas relações de poder. Manifestações que estão sendo marginalizadas podem em um curto espaço de tempo ser transformadas em uma ideia dominante, sendo desse modo privilegiada. Nesses termos a mentalidade popular poderia ser hora decalque da ideologia dominante, ora seu avesso e a sua desmistificação (BOSI, 2010).

Faça um esforço, pense e responda. O que é ideologia? Eu quero uma para viver?

Você tentou responder essa questão? Xi, então entendeu pouco! Não se trata de dialogar no direcionamento dessas questões, não nos importa perguntar o que é ideologia, mas é importante apreender como ideologias são pensadas, significadas, vividas e praticadas em dados contextos históricos e sociais. Ou, se sua mente funciona melhor com questões: Como ter certeza de que o seu ponto de vista, quando critico a ideologia, não está sendo ideológico? Se a ideologia se expande e penetra sorrateiramente em todas as expressões culturais, o que imunizaria contra ela? O que seria o ideológico e o não ideológico? O que leva os indivíduos populares aceitarem políticas que, no fundo, não corresponde aos seus interesses, ao contrário, na maioria das vezes os sabotam?

REFERÊNCIAS

BOSI, Alfredo. Ideologia e contraideologia: temas e variações. São Paulo: Companhia das letras, 2010.

EAGLETON, Terry. Ideologia, uma introdução. São Paulo: Editora UNESP. Editora Boitempo, 1997.

KONDER, Leandro. A questão da ideologia. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975.

 Por Sylvana Marques
…E segue o baile.

 

 

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There are 45 comments

  • Cau disse:

    Falar sobre ideologia nesse momento é importante pois ela é um instrumento de conscientização. Gostei bastante. Parabéns! Que venham mais debates estou esperando!

  • Todo conjunto de idéias é importante. As idéias são o ponto de vista sobre algo. Nelas há criações de conceitos e propostas de coisas novas. Neste sentido, sempre contribuimos com um ponto de vista nosso. A ideologia se torna negativa quando se torna um pensamento dominante e obsessivo, dogmático. Ainda mais negativo quando a ideologia se torna um meio de manipulação e representação de classes dominantes.

  • Drielly Duarte disse:

    Acredito que seja de imensa importancia discutir questões ideológicas no momento atual em que vivemos.

  • Cétura disse:

    O tema é muito interessante, principalmente no contexto que se encontra o Brasil agora….. O brasileiro precisa de ideologias boas e conscientes e com referencias históricos para reconquistar a democracia brasileira.

  • Israel Almeida disse:

    “Se tenho uma ideologia sou um indivíduo melhor ou sou um alienado?”
    Acredito que os conflitos ideológicos, tornam-se preocupantes quando são fomentados pelos inúmeros “ismos” das ciências sociais.
    Eu posso ser um indivíduo melhor sendo praticante da ideologia autruísta de Jesus Cristo sem ser alienado aos dogmas do “cristianismo”.
    Posso ser também um indivíduo mais compreensivo apoiando a ideologia de género sem concordar com possíveis excessos do “homosexualismo”.
    Ou posso ainda ser um indivíduo mais justo apoiando a implementação de políticas que diminuam a desigualdade social sem ser um defensor extremo do “comunismo”.
    Enfim, conforme diz o dicionário em citação muito bem introduzida no texto, ideologia é um “Conjunto de idéias, convicções e princípios filosóficos, sociais, políticos que caracterizam o pensamento de um indivíduo, grupo, movimento, época, sociedade…”, e até aí, nenhum problema com a tal ideologia.

    • Sim podemos ser indivíduos melhores independente dos contextos. Mas, o foco é justamente não cair em armadilhas ideológicas, por exemplo, quando você fala em “ideologia de gênero” isso existe? Esse discurso não é abarcado e nem aceito em âmbito intelectual pois ele já vem cheio de preconceitos, de ideias pré-concebidas. O foco seria interpretar esses cenários e não reproduzi-los. E, sobre excessos homossexuais, o que seriam excessos homossexuais? Será que esses excessos existem pela opção sexual ou por outros fatores, como signos que circunscrevem o indivíduo, fatores externos culturais, espaciais e sociais? São aspectos a serem analisados.

      • Israel Almeida disse:

        …Por isso eu usei o termo “compreensivo” quando falei de ideologia de gênero! Na verdade a intenção não era dar ênfase a este ponto, mas dizer que posso estar aberto a discussões e debates sobre qualquer assunto que envolva o tema sexualidade, sem estar pre disposto a dizer sim ou não simplesmente por estar ligado a algum “ISMO”.
        O que temos como exemplo, são pessoas que dizem sempre NAO porque estão ligadas ao “cristianismo” ou sempre SIM porque defendem o “Homossexualismo”. Existe um mentalidade ativista, que transforma diferenças ideológicas em conflitos ideológicos e tornam suas bandeiras mais importantes que os seres humanos em questão. E quando falo em excessos, não preciso ir longe, basta analisar por exemplo as propostas de políticos como nossos deputados Jean Willis e Maria do Socorro e teremos assuntos para concordar, discordar, modificar e evoluir. A idéia é afastar o preconceito e a ignorância mas respeitar as diferenças ideológicas.

        • Com certeza!
          Mais a frente daremos enfase a ideologia com um pouco mais de exemplos, daí podemos elaborar uma fala sobre a contra-ideologia. Acho que clareará mais a ideologia. Abraço e obrigada pelo comentário.

    • Germano disse:

      Entendo seu pensamento, de não cair em exageros, mas discordo no que toca aos “ismos” que você diz serem formados pelas ciências sociais. Doutrinação é o oposto da ciência. A teoria social ao invés de fechar o pensamento, abre. Bem como os estudos de gênero. Só duas correções: o termo “ideologia de gênero” é uma expressão que religiosos criaram pra tentar rebater os resultados das pesquisas socioantropológicas em gênero e sexualidade; não existe “homossexualismo”, a expressão correta é “homossexualidade”, pois sexualidade é um conjunto de sentimentos e práticas que constroem a identidade e não uma doutrina/filosofia como o budismo, cristianismo etc

      • Israel Almeida disse:

        Olá Germano,
        • Os “ismos” das ciências sociais tem como fonte “Introdução as Ciências Sociais” de Januário Francisco Megale da editora atlas, fonte que me pareceu razoavelmente confiável pela ampla divulgação e uso da obra.
        • O conceito “Ideologia de Gênero” foi criado por sociólogos reunidos em uma conferência da ONU na cidade de Pequim, em 1995. Mas a idéia não é encontrar fontes que qualifiquem o termo, mas sim, propor que os assuntos ligados a sexualidade não tenham uma posição pre definida pelos “ISMOS”. Posso citar como exemplo, a posição inflexível de religiosos que não admitem se quer debater assuntos relacionados aos direitos dos homossexuais, por estarem ligados ao “cristianismo”
        • Quanto ao “homossexualismo” sei que o termo não existe, e exatamente por isso foi colocado entre parênteses de forma totalmente proposital para fazer um trocadilho entre “CRISTIANISMO” e “HOMOSSEXUALISMO”, como comparativo de extremos.

        A 16 séculos atrás, os interesses políticos transformaram a ideologia de Cristo em “cristianismo”. Será que nos dias de hoje, as interferências políticas apenas corrigirão injustiças e distorções relacionadas a homossexualidade, ou nos debates entre a “cruz” e o “arco iris” ambos os lado sofrerão os efeitos da manipulação?

  • Arthur disse:

    Artigo bem completo, apesar de curto, parabéns. Acho o tema bastante pertinente no momento atual, principalmente frente aos debates políticos que se apresentam nas câmaras e no senado. Certa parte do espectro político (notadamente, a direita) utiliza-se do conceito de ideologia bem próximo de Marx, onde seria uma espécie de véu que “embaça” a realidade objetiva, e acusa a esquerda de ser ideológica, como quem dissesse “mentirosa, enganadora e manipuladora”, mal sabendo que o termo é muito mais amplo. E é esse o sustentáculo de projetos absurdos como o tal “Escola sem partido” e do uso obtuso do termo “ideologia de gênero”. É preciso esclarecer os incautos que repetem esse tipo de sandice.

  • Laércio de souza disse:

    A ideologia seja ela de qual for sua forma ou seu contexto social, impõe condições ou conjunto de idéias que se.concretizam na maioria das vezes a favor de elites. Essa é uma situação política em que vivemos hoje no Brasil.De imposições ideológica. É bem necessário esse texto.

  • Anna Gabriella disse:

    Adorei o texto, principalmente, por destacar que a ideologia não é algo palpável, ou mesmo, consciente. No mundo globalizado, somos influenciados por diversas ideologias, embora, exista uma ideologia dominante. Neste momento conturbado da história do Brasil, faz-se necessário que hajam discussões sobre o que é ideologia. Uma vez que a ideologia tem sido usada de diversas formas, que não condizem com o sentido real do conceito. Parabéns pelo texto!!!!

  • Waldeilton Fernandes disse:

    Justamente o que entendi e que temos que ter cuidado com as ideologias, nao e pensa las como boas ou ruins mas sim identifica las, reconhecer para ter clateza sobre o que se escolhe. Alguns comentários nao concordo porque pelo que esta escrito no texto devemos justamente nao cair en armadilhas ideologicas.

  • Floriano Felinto disse:

    Boa tarde Professora Sylvana Kelly Marques,

    Amei esse espaço, uma Ótima ferramenta de diálogo e informação. Parabéns pela extraordinária iniciativa Professora Sylvana Kelly Marques…

  • Jakeline Soares disse:

    Obg, Sylvana. Vi no seu blogue o link para esse texto, precisava fazer um trabalho sobre. Boa hora…

  • Floriano Felinto disse:

    Professora Sylvana Kelly Marques, nossa política brasileira, infelizmente, está uma verdadeira vergonha, está inserido no contexto do sistema global capitalista que atualmente se encontra em crise. Para entender melhor esse contexto político, temos que analisar algumas questões: a sociedade, qual perspectiva de sociedade estamos inseridos, na qual todas as pessoas possam se deslocar livremente e existir em qualquer lugar o direito de permanência universal, ou seja, que sociedade temos e qual sociedade queremos, e por ultimo se aqueles que deveriam nos representar, que estão lá a tantos mandatos, se eles nos representa de fato ou se precisamos de uma grande FAXINA MORAL na nossa ATUAL POLÍTICA Brasileira…

  • Floriano Felinto disse:

    Professora Sylvana Kelly Marques,

    LUTA CONTRA O CAOS DE VILA FLOR (Vídeo com mais de 1666 Visualizações)
    VILA FLOR vive em TOTAL ESTADO de ABANDONO!!! Um VERDADEIRO CAOS!!! Onde está tanto DINHEIRO???
    Aquele que não luta pelos seus direitos, não merece tê-los. ACORDA VF!
    https://www.facebook.com/florianofelinto/videos/803838476369141/?permPage=1

  • Floriano Felinto disse:

    TCE estabeleceu o prazo, até 03 de Agosto de 2016 para 167 Câmaras aumentar os salários dos Agentes Políticos!

    Qualquer Cidadão- Eleitor que discordar o aumento dos SALÁRIOS do Prefeito, Vice, Secretários e dos Vereadores ou se preferir poderá entrar direto na Justiça com AÇÃO com a referida AÇÃO de INICIATIVA POPULAR, e se quiser não precisa nem de advogado.

    Envio PROJETO ou AÇÃO de LEI de INICIATIVA POPULAR, que reduz salário de PREFEITO, VICE, SECRETÁRIOS e dos VEREADOR. Entre contato pelo Face ou pelo Whatsapp: (84) 991804149, que enviaremos sem custo algum.

    VAMOS MOBILIZAR TODAS AS CIDADES DO BRASIL!
    Atenciosamente,
    Professor: Floriano Felinto.

    Assista este vídeo:
    https://www.facebook.com/florianofelinto/posts/1056969324389387

  • Luciana Roque disse:

    Muito bem escrito o texto sobre ideologia, nos faz refletir que ela está presente em muitos aspectos de nossa sociedade, um deles muito comum é a propaganda e o marketing. O convencimento das pessoas para o consumo exagerado e desnecessário é feito a partir de ilusões, ou seja, disfarce da realidade através da ideologia. Outro aspecto muito comum é a política…então devemos nos atentar e ter consciência sobre quais ideologias iremos absorver… Parabéns pelo o artigo!

  • Kenia Almeida Nunes disse:

    Texto excelente diante dos acontecimentos que envolvem a questão da ideologia. Na discussão deste conceito me insiro mais nos estudos sobre as relações entre os gêneros e sexualidades, ela é pertinente e necessária. Essa balela que inventaram sobre ideologia de gênero é simplesmente estarrecedora. Se percebe que tais pessoas vomitam flatus vozes, que não conhecem sobre o que estão discutindo. Que tem suas convicções fundamentadas em acholismos e não se atentam as pesquisas sobre as relações humanas. Bom, nesse caso, temo que é importante dizer que a ideologia de gênero existe e que nós, da área de ciências sociais, estamos justamente tentando combatê-la, pois é ela que dissemina as posições e os papéis de gênero, assim como é ela que destila a heteronormatividade. Então, a questão é saber sobre o que se está falando. Os excessos existentes são da ordem do patriarcado, da heterossexualidade compulsória, dos machismos e misogenias e, não dos homossexuais, gays, bichas, viados, drags, travestis, transexuais, intersex e tantos outros disparatados. As primeiras é que são ideologias de gênero, sim elas é que são as ideologias de gênero e não os últimos mencionados. Portanto, são os primeiros que devem ser combatidos diariamente com base na reflexividade, diálogo e uma boa dose de bom humor, porque aguentar essa grande falação de merda sem fundamentação científica apropriada à questão é para rir ou chorar. No caso, haja prozac para viver com esse falatório da tal ideologia de gênero vinculada às práticas contranormativas.

  • Flavio da Luz disse:

    Exuberante artigo. Parabéns, Sylvana.

    Primeiro, gostaria de lhe dar as boas vindas e dizer-lhe que és muito bem vinda nessa casa. Chegaste ciceroneada por muitos elogios e pompas, que já, de pronto momento, fizeram-se absolutamente verdadeiras, dada a alta qualidade apresentada em um artigo tão sucinto e intenso.
    Dimensionar um termo que alavanca e encabeça lideranças de todos as partes, é um ato necessário, dada a subversão latente em nossa sociedade. A adesão a propostas que surgem como oceanos profundos, quando na verdade não passam de lagos rasos, permite que uma discussão concatenada, ordeira e organizada dentro de parâmetros verdadeiramente embasadores, reordenem o rumo de alguns passos que estamos dando.
    Nunca foi tão fácil arrebanhar adeptos e isso também é “culpa” do conhecimento, que pela franca acessibilidade, permite aos indulgentes, a prática destes, em detrimento de suas essências mas em favor de suas riquezas e interesses grosseiros.
    Tenho certeza que este é apenas o primeiro capítulo de uma série rica, densa e cada vez mais profunda de temas importantes para a sociedade que visa um futuro distante da ignorância.

    • Muito Obrigada pelas boas vindas, pelas palavras…
      O mais legal de tudo isso é realmente o debate, os diferentes pontos de vistas, as trocas. Vamos tentar seguir com os múltiplos olhares, né? E segue o baile…

  • Israel Almeida disse:

    Faço minha as palavras do amigo Flávio da Luz. Foi um prazer começar esse trabalho na companhia do Flávio e agora uma grande alegria receber O Robespierre Menezes e a Sylvana Marques.
    Espero prover uma plataforma visual digna de receber todo o conhecimento trazido por vocês a esse espaço.
    “Let’s rock it!”

    • Obrigada pelas boas vindas. Sua plataforma é de fácil acesso e de muito bom gosto. Não poderia ser diferente, afinal estamos falando de um profissional dedicado e comprometido. Agradeço também estar participando desse espaço tão bem elaborado.
      Um grande abraço!

  • Vinícius Silva disse:

    Na situação que o Brasil se encontra hoje, a ideologia deveria ser um assunto pertinente, acabamos de uma forma sendo influenciados, a população deveria ter mais acesso a diálogos como esse. Justamente para não cairmos em “armadilhas”. Ao pararmos para pensar melhor, a ideologia está presente a todo momento em nossa vida . Com um estudo mais aprofundado da ideologia acabamos tendo escolhas certas sobre cada uma. Parabéns pelo texto!

  • Fátima Senra disse:

    A pergunta que não quer calar em mim nestes tempos de aflição, é justamente, porque um grupo expressivo de pessoas se deixa levar por um pequeno grupo que quando no poder, não irá defender os seus interesses mais básicos? Este seu texto Sylvana, nos desafia a pensar e tentar compreender todo esse processo. Quando você diz que o opressor mais eficiente é aquele que leva o oprimido a se identificar com o seu poder, para mim confirma aquilo que tenho pensado diante dos últimos acontecimentos. Sabe o que penso? que a ideologia está virando produto, uma mercadoria que as pessoas acham que podem escolher numa prateleira de mercado e vestir. Assim nos rotulamos, entre fazer parte do grupo A ou do grupo B, numa espécie de disputa que aparentemente teria o poder de nos resumir. Mas, o que quero é deixar aqui a minha admiração pelos seus textos, sempre muito bem redigidos e os quais aprecio muito. Parabéns e que venham mais textos assim.

    • Boa Noite Fátima
      Mil vezes obrigada!

      Como não escrevo para mim, preciso de leitores e fico feliz que de algum modo, talvez pelo esforço, generosidade e paciência de vocês com minhas “ideias” ainda iniciais, consigo me comunicar.

      Mais legal do que um texto são as questões que esse possa gerar e você levantou uma questão que é sublunar, sobre esse numeroso grupo que se deixa levar por um pequeno grupo, essa é a pergunta que não quer calar…

      E acredite, tem centenas de anos ela vem tentando ser respondida, de acordo com meu conhecimento, curto e limitado, acredito que um dos primeiros livros que discute esse tema foi escrito em 1548, se chama “Discurso da servidão voluntária”, de Etienne de La Boétie.

      Amo esse pequeno grande livro em que o autor fica espantando e perplexo diante de um fato que ofende a própria natureza e o bom-senso mais elementar. O fato é que um número gigantesco de homens obedecem um único soberano político, mas o grande problema não é só aceitarem a obediência, porém eles rastejam, diante do fato de não serem apenas governados, mas tiranizados, não tendo para si nem bens, nem parentes, nem filhos, nem a própria vida.

      O que é que significa isso? Covardia? Será que a razão admite que milhões de pessoas e milhares de cidades, no mundo inteiro, se acovardem diante de um só homem, em geral medíocre e vicioso, que os trata como uma multidão de serventes?

      Então, “que monstruoso vício é esse, que a palavra covardia não exprime, para o qual falta a expressão adequada, que a natureza desmente e a língua se recusa a nomear?”

      • Carlos Henrique disse:

        Muito bom seu comentário Fátima, você coloca uma questão muito pertinente para o momento atual em que vivemos, das pessoas estarem passivas e acabam caindo na servidão voluntária o fato delas se deixarem levar por um determinado grupo, gostei.

        • Sylvana disse:

          Sim esse é outro aspecto muito legal do seu pontonas vista Fatima, as pessoas abraçarem ideias como mercadoria, ou como cunha Guy Debord como espetáculos, simplificadas, capazes de nos definir.

  • Israel Almeida disse:

    Uma das características que mais me chamam a atenção em um debate, são as variações temáticas, onde começamos traçando um comentário sobre a idéia principal do texto (nesse caso ideologia), e seguimos navegando em outros assuntos que vão naturalmente sendo ligados ao tema principal. Mas infelizmente, nem sempre estaremos no mesmo nível de informação em relação a alguns dos assuntos abordados. É nesse momento, que o conhecimento nos difere muito mais pela tolerância que pela capacidade de dominar certos assuntos. Destaco como bom complemento ao debate, o ótimo texto de Flávio da Luz, “Os Efeitos da Rigidez”.

    http://filosovida.com/2016/07/09/os-efeitos-da-rigidez/

    • Isso mesmo Israel, concordo! Independente do conteúdo informativo que temos ou que achamos que temos o importante mesmo é opinar, é participar, porque nesse processo de troca é que construimos questões, análises, ideias e observamos mais do que tudo nossas limitações. O domínio de assuntos é uma doce ilusão… E valeu pela dica da leitura.

  • Analyce Nazário disse:

    Parabéns pelo texto, Sylvana!
    Debater sobre ideologia no momento em que estamos vivendo, é de extrema relevância. Acho que ideologia se torna importante a partir do momento que minorias possam se organizar e ter direitos (falo isso, não só voltado a politica). No entanto, ideologias acabam sendo bem preocupantes, já que classes dominantes utilizam seu discurso para alienar uma grande parte da população. O mais interessante é que muitos tem repetido a frase “precisamos respeitar as posições ideológicas dos outros”, entretanto, os mesmos trazem ideologias carregadas com discurso de ódio e uma grande intolerância que afeta não só minorias politicas como um bem estar geral da população. Um grande exemplo para isso é o projeto “Escola sem partido”, que é um ataque direto a toda a estrutura pedagógica da nossa sociedade.

  • Carlos Henrique disse:

    Muito bom o seu texto amiga, a ideologia é sempre difícil de compreender, tem dias que me pergunto o que é ideologia, é um debate bastante pertinente para os dias de hoje, sobretudo para o momento em que vivemos hoje em nosso país.
    Parabéns amiga.

  • Parabéns, Sylvana! O texto está muito bem escrito e compreensível. Debater sobre a ideologia é tão complexo quanto à ética, por exemplo. É imprescindível compreender seu papel e seu “poder” nas relações sociais.
    Foi um ótimo trabalho e recorrerei a ele sempre que puder.
    Até a próxima!

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