Comportamento Reflexão Religião
O livre arbítrio
5 de setembro de 2016
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Temos uma tendência absolutamente danosa de oferecer soluções simplistas aos complexos problemas sentimentais e emocionais daqueles que estão a nossa volta.

Em geral, imaginamos que as simples decisões do campo físico são completamente aplicáveis ao campo psíquico. Se alguém está com dificuldades para enxergar, indicamos uma solução óbvia, use óculos. Se o problema for o frio, outra solução infalível, vista um casaco. E para cada necessidade física temos uma solução padrão.

Mas psicologicamente falando, aqueles que são mais preparados e bem resolvidos, desconhecem a profundidade desses problemas, e exercem o papel de “psicólogos do diabo” bombardeando pessoas que sofrem com  dificuldades sentimentais e emocionais com frases perversas e simplistas do tipo, “largar um vício é apenas uma questão de decisão”. Ou ainda, “Você sabe que esta pessoa não lhe faz bem, só lhe falta vergonha na cara pra deixa-la”. Esses são alguns exemplos de agressões diárias praticadas por pessoa que usam a si mesmo como  padrão e referência absoluta para julgar o comportamento de outros.

O fato de algumas pessoas não terem um bom nível de concentração, terem alto nível de ansiedade, sofrerem de carência afetiva e outros problemas cada vez mais invisíveis em uma sociedade cada dia menos sensível, alimenta o seguinte pensamento: “se tem semelhança física comigo, pode fazer tudo que eu faço, e se não faz, é porquê é procrastinador, vagabundo, irresponsável, preguiçoso ou acomodado”.

Talvez o cristianismo católico, ou até mesmo o protestante que aceitou a reforma e a versão bíblica de Martinho Lutero, mas nunca aceitou sua posição contrária ao livre arbítrio, seja a grande chave cultural de um ocidente “Cristão” que historicamente separou morais e amorais, pobres e ricos, crentes e incrédulos, seguidores e hereges, heterossexuais e homossexuais como se tudo fosse uma simples questão de escolha entre o certo e o errado.

Esse pensamento alimenta o conservadorismo religioso, social e político que determina mais ou menos assim: Se nossas mãos, olhos e bocas podem abrir e fechar a um simples comando da mente, certamente nossos desejos, vontades, gostos e preferências podem ser facilmente adequados aos conceito éticos, morais e religiosos através de uma simples escolha, “O livre arbítrio”.

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Israel Almeida

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There are 4 comments

  • Erik Almeida disse:

    Um crime de responsabilidade deveria ser aplicado a igreja!

  • Jadiel Oliveira disse:

    Simplesmente incrível! Por favor autor, escreva com frequência!!!!!!

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