Atualidade Cotidiano Filosofia
Interesse pela leitura
16 de março de 2017
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Tornar uma literatura atraente, nunca foi tarefa fácil. Para ninguém. Na minha opinião, são muitos os fatores que contribuem para esse fenômeno tão negativo.

Via de regra, os principais nomes da filosofia, por exemplo, tornaram-se mais populares, dezenas ou centenas de anos após suas mortes, quando na verdade, seus escritos passaram a integrar disciplinas em cursos acadêmicos ou passaram a ser consumidos por pessoas de grande poder de influência, sendo assim, representados por um porta voz de parte das massas.

Difícil falar sobre como isso acontecia no passado. No entanto, para os tempos presentes, tenho meus palpites sobre o tema.

É cada vez mais público e notório, o imenso déficit na capacidade de interpretação textual e interesse pelo consumo da leitura, como ferramenta de crescimento intelectual e fortalecimento psicoemocional. Justamente esses dois pontos me parecem bem interligados. Uma vez que há dificuldade em entender o que se quer ler ou mesmo o que se leu, o processo esbarra nas tantas problemáticas de ordem psicossomáticas, que impedem um fluxo mais contínuo e natural, que por sua vez, tem como efeito, a absorção, ainda que lenta e silenciosa do conteúdo consumido para, posteriormente, sentir na pele, no corpo e na prática, de modo geral, os efeitos dessa manobra.

Existe também o assustador crescimento pelo interesse na banalidade, no surrealismo e no irrealismo literário, vide as obras de ficção que trazem histórias quase que abomináveis, mas que movimentam mercados comerciais que são explorados pelo público jovem, que é refém do lúdico, do imaginário, do idealismo típico do excesso de hormônios, como se servissem como antídotos contra a verdade que muitos se empenham em mascarar. Dessa linha, emerge um produto que na minha opinião, não traz benefícios significativos para ninguém, mesmo respeitando as linhas de pensamento que apontam para a benesse de, embora o conteúdo não ser de grande valia, o fato de prender o indivíduo frente a um livro é, por si, suficiente para alavancar um interesse maior.

Na minha opinião, a qualidade inicial das leituras consumidas é que vai determinar o interesse e a excelência de várias outra escolhas, inclusive podendo auxiliar na escolha da profissão a seguir, do descobrimento de hobbies, do desvendamento das propriedades íntimas e pessoais, que irão, gradualmente, qualificar e classificar esse cidadão junto a sociedade, fato este, determinante para uma melhor qualidade de vida sua e dos seus.

É bem verdade que existem muitas pessoas que são dotadas de uma espécie de “características especiais”, cujas quase desdenham daqueles que tanto precisam dos livros e compêndios para a construção do baldrame informativo e intelectual. Na verdade, quem assim pensa e age, é, de fato, um embuste. Não há um só ser no mundo, capaz de absorver por outras vias que não o estudo e a leitura, conteúdo suficientemente forte para enraizar ideias, ainda que sejam ideias comuns, mas que por falta de substrato pessoal, orbitam em desordem por sua mente, provocando confusões, delírios, devaneios e sobretudo, causando mal estar social no cidadão.

A leitura, como ferramenta de enriquecimento de ideias, é um ato especialmente apropriado para todos, dada a capacidade individual de cada ser, em compreender e assimilar as ideias que são apresentadas através de um texto, de um livro, de um texto ou o que for. Se você compara isso a um filme, por exemplo, saiba que o livro, que retrata a história de um livro, reflete as ideias interpretativas de seus diretores, criando assim, uma sobreimagem do tema originário, comprometendo, ainda que de forma intencionalmente boa, a verdadeira essência temática do produto. Por isso a importância de buscar nas fontes primárias, as informações, histórias e relatos, para que cada um, de acordo com seus interesses e predisposições, possa melhor compreender este ou aquele tema ou assunto.

Exitem por certo, milhares de locutores, palestrantes e falantes de modo geral, que conseguem encantar com sua fala, mas infelizmente, recai aqui, o mesmo sistema que citei acima sobre os filmes, que é a tradução, a interpretação pessoalística de um tema que muitas vezes, transcende um único entendimento. A riqueza de conteúdo que duas pessoas que leram um mesmo livro produz, ao dialogar e trovar sobre o título, é muito maior que aquilo que pelo autor fora produzido, elevando significativamente, o potencial de alcance daquela matéria. Infelizmente, o mesmo não ocorre com ficções e obras desenvolvidas apenas ao lucro, à exploração comercial, que tem interesses limitados.

As literaturas que expressam pensares, sentimentos, vida e obra de um ser, são aquelas que pelas quais, devemos cultivar um carinho especial, pois tratam da presença do indivíduo no mundo, com todas as suas angústias, medos, anseios, aspirações, vocações e sobretudo, são as que mais exigiram esforços de seus autores para transcrever em verso e prosa, todo esse embrulho existencial.

De modo geral, é assustador e desanimador o cenário atual. Cidadãos ocupando cadeiras em universidades, com dificuldades de interpretar textos de 4, 5 série primária. E não, não há nenhum problema cognitivo de ordem patológica com este ser, ele apenas não lê, nunca leu e cresceu às sombras de engodos, de pessoas e de ambientes que não exigiram dele esse hábito, transformando-o assim, em alguém com limitações de visão. Quem pouco lê, pouco entende e se pouco entende, muita bobagem está propenso a fazer, pois age em total dissonância com a realidade.

É preciso salientar que não é preciso sair por ai consumindo tudo que é escritor famoso, filósofos renomados, cientistas reconhecidos e etc. Antes de se dedicar as leituras, é importante reconhecer em si, a sua essência intelectual, ou seja; para onde suas ideias direcionam suas capacidades neurocognitivas, suas habilidades manuais ou melhor, onde você se sente confortável na vida. Que tipo de tarefa, tema, profissão ou assunto lhe prende a atenção. Claro,  respeitando e obedecendo um princípio de natureza táctil, afastado o suficiente dos devaneios e delírios.

Não é exatamente de hoje, que um escritor tem dificuldades em emplacar o seu material. Desde muito tempo é necessário apadrinhamento ou bastante dinheiro, para que um livro ganhe notoriedade. Além disso, a figura do escritor, se não atrelada ou vinculada a veículos de mídia, dificilmente o mesmo ganhará exposição e reconhecimento o suficiente, para ter a sua obra descoberta e explorada, exceto se o mesmo for hábil o suficiente, para escrever abobrinhas e conteúdos voltados para quem prefere ser iludido, entretido a ser orientado e alertado sobre as coisas do mundo.

É na leitura que encontramos muito da paz que procuramos. É no silenciar da mente, alimentando-a, nutrindo-a de conhecimento fértil, que aramos o campo das ideias, das emoções, das capacidades e habilidades. É o ato silencioso que mais estardalhaço é capaz de fazer na sua vida. Ninguém escapa da transformação que a literatura produz e é raro encontrar aquele que não se beneficiou disso.

Leia mais. Divulgue mais as boas ideias e coisas. O mundo anda muito carente de gente com coragem de se assumir necessitado de conhecimento de valor.

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Flavio da Luz

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There are 2 comments

  • Vinicius disse:

    Texto ponderado, atento aos detalhes, de certa forma em inconformidade com a realidade atual. Será que o emburrecer tende a só aumentar?

  • Israel Almeida disse:

    O que cresce é o interesse pela futilidade… O entretenimento à la carte disponível na internet tem sido o prato cultural predileto dessa geração.

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