Reflexão
Para acontecer, comece com você.
21 de março de 2017
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Mudar a forma como vemos o mundo e suas coisas, é o bastante para passarmos a obter melhores resultados em nossas buscas ou tudo não passa de engodo, de matéria volátil para ocupar mentes frágeis?

Bem, não há como esconder que na relação entre o homem e o hábitat em que ele vive, existem uma diversidade numerosa de fatores, que determinam a qualidade dessa relação. Ao ambiente cabe oferecer os elementos que subsidiam a existência do homem. Ao ser humano, por sua vez, cabe a capacidade de extrair, manusear, compreender e reciclar as fontes de vida, de modo a organizar, sistemática ou circunstancialmente, sua estadia no recinto adotado para viver. Charles Darwin trouxe isso muito claro, criando a teoria de seleção natural, onde, teoricamente, os seres que melhor se adaptam ao meio, são os que mais carregam a chance de prosperidade.

Prosperidade, por sua vez, não é exatamente algo genético. Ninguém traz em seu DNA, a fórmula exata para galgar a vida a passos largos. Arrisco dizer que nem mesmo o mais obstinado ser, aquele cujos ideias de vida parecem saltar à mente, materializando-se em ações práticas, sabe ao certo, qual o ponto final da sua jornada, tamanha a quantidade de fatores e eventos que irão ocorrer ao longo desse processo e que irão por à prova, a tal resiliência e capacidade de sobrevivência desse mesmo ser. Em tempos de realitys shows, é preciso deixar claro que não acredito que estamos em um deles, sendo observados, avaliados e julgados por nossas ações. Pelo menos não do ponto de vista externo.

Mas afinal; se não temos de provar nada para ninguém. Se o juízo de valor e conduta está entre nós, seres da mesma espécie. Se não há regras, manuais e nem um ponto de chegada definido, por que é que fazemos o que fazemos? Por que perseguimos coisas que, supostamente, em nada nos agregam ou acrescentam benesses? O que é ser próspero e ter uma vida idem? Respostas dentro de você…. Ah, claro. O bom e velho clichê existencialista. Bom, como diz o professor Luiz Felipe Pondé, “se é clichê é porque tem verdade incutida”.

Justamente por não ter um manual de instruções de uso e manuseio, é que a vida só tem sentido, quando este é encontrado em si. E como se faz isso? Eu sei lá! Procure, oras. A não ser que você confie muito mais em alguém para lhe determinar o que é bom pra você do que você mesmo.

Certamente temos um lugar no mundo. Possuímos habilidades e características únicas e por sermos unidades de um todo interdependente, todos nós temos cadeira cativa nesse mundo, das menos à mais nobres atividades, infelizmente. Uns servem apenas de maus exemplos mesmo, enquanto outros, de referências a serem seguidas, estudadas, aprimoradas, ampliadas e sedimentadas nos caracteres componentes da boa conduta humana. Sim, há que se observar cuidado e atenção a esse ponto, o regimento da conduta.

“Mas poxa, a vida não é uma esculhambação, onde cada um faz o que quer?” Não. Definitivamente, não. Essa retórica de liberalismo radical já passou dos limites faz tempo e não tem espaço em uma sociedade que grita por melhores dias. Sabemos, todos, que há coisas que nos acontecem e que nos machucam, que nos causam dor e sofrimento. Logo, se isso existe, ele precisa ser evitado, de modo que dor e sofrimento sejam diminuídos. E se dói em mim, presumo que também doa em você e assim sucessivamente, o que já é suficiente para elaborar uma “regra”, um procedimento a ser adotado, que visa a estabilidade de vida, uma melhoria de qualidade. Veja só como pode ser simples transformar a vida difícil em algo melhor. Basta não fazer para ninguém, o que não gostaríamos que nos fizessem. Oh!!! Um ensinamento de mais de 2 mil anos trazidos a tona para elucidar e exemplificar um pensamento tão singelo. Dois mil anos!!! Em uma sociedade admitida por cristã, que se orgulha de ter princípios religiosos, não conseguir seguir sequer os básicos “mandamentos” de sua principal doutrina, é motivo de vergonha, como também, para quem gasta um tempinho pensando a vida, um motivo para determinar que não temos a menor condição de regeneração ou qualificação.

Diante disto, temos alguns pontos importantes para embasar uma ideia acerca da prosperidade. Mas você deve ter percebido que para ser alguém cujo sucesso é um emblema, uma etiqueta visível, existe uma enorme dependência quanto ao estilo, padrão e ideologia adotada. Se você for alguém extremamente capitalista, é natural crer que para você, ter prosperidade é acumular riquezas de ordem material. Se você for um existencialista, deduzo que você considerará meritoso, progredir intelectualmente, acumulando leituras, conhecimentos sobre matérias que compõem os organismos vivos, cadeias, biomas e etc. E dessa maneira, criamos as subcategorias humanas. Todos pertencentes a mesma espécie, divididos pelos seus interesses, subclassificados e “subnecessários”. Logo, prosperidade e progressão de padrão de vida, depende, invariavelmente, da maneira como você pensa e enxerga a vida e não de seus objetivos atuais. Até porque, se você passar 50 anos perseguindo um único objetivo, talvez você precise repensar o termo em sua acepção.

Cada vez mais me convenço de que não temos lugar nenhum para chegar, embora seja muito difícil encarar isso com naturalidade, ao pensar que podemos passar até 100 anos por aqui. Amarro essa ideia em um ponto que anda distante, difícil até de ser debatido, que é a nossa integração, a nossa união, a definitiva conexão entre nós, seres dessa espécie que tá perdendo, com razão, o título de sapiens.

Ainda respeita-se títulos e se fornece honrarias, mais por denunciar a própria preguiça e incapacidade de driblar a inércia, do que para premiar de fato, quem se destaca por te-lo feito. É o princípio da idolatria, da serventia, da submissão a alguém que se apropriou do livre direito de pôr a vida sob sua inteira custódia e dedicou-se a fazer o que poucos fazem. Chamávamos isso de heróis até um tempo atrás, hoje chamamos de representantes e de ativistas. A mesma arbitrariedade existente para elegermos a quem adorar, está disponível para cultivarmos maior carinho pela figura que se apresenta no espelho de nossas casas, todas as manhãs.

Antes de se estrebuchar para se encaixar em um modelo a ser perseguido, sugiro que te faça alguns questionamentos: por que você faz o que faz? Por que faz o que faz, do jeito que faz? Por que faz o que faz, do jeito que faz e para quem o faz? Acredito que soluções interessantes surgem das perguntas que fizemos e não das respostas que obtemos. Eis um mecanismo importante para encontrar algum significado para vida, se é que há um ou mais. Se nem isso lhe ampliar a percepção da sua importância ao hábitat, é certo de que você ainda está imerso em um processo, que do qual, não é mesmo fácil livrar-se, que é o da subserviência, ou seja, você vive muito mais para servir, para adorar, do que para ser feliz, ser independente e cônscio de si.

Não tenha medo de seus monstros e nem eleve demais os seus predicados. “Ninguém aqui é puro, anjo ou demônio. Nem sabe a receita de viver feliz.” O trecho inicial da bela canção de Sandra de Sá expressa, poeticamente, esse raciocínio. Estamos todos no mesmo barco, remando em mares desconhecidos, que ora nos coloca muito medo, ora nos traz inebriante calmaria e é nesse ciclo, nessa oscilação expansiva e contrativa, sistólica e diastólica, que nos expandimos e nos recolhemos junto a vida. Portanto, deixe sua mente um pouco mais aberta, mais flexível ao cotidiano. Não petrifique alvos e objetivos sem antes ceder aos sinais de necessidade de alteração de rotas, que corriqueiramente nos tocam e quem sabe, ao final de tudo isso, um sentido ou significado maior sobre essa loucura que é viver, não te brinde a mente.

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Flavio da Luz

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There is 1 comment

  • Israel Almeida disse:

    Não vemos o mundo como é, mas como somos. É a nossa forma de Apreciar o mundo que nos revela o valor da vida.

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