Comportamento Cotidiano Filosofia Psicologia Reflexão
4 de novembro de 2017
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Somos criados para sermos aceitos. Por amor, familiares e amigos insistem em nos apontar caminhos que devemos seguir, sejam eles ligados ao trabalho, às emoções, às relações e etc.

Procuram, desde cedo, nos inserir em blocos sociais que acreditam serem os mais proveitosos para nós e desde então, estão nos ensinando a barganhar. Veladamente, nos mostram um caminho perigoso que envolve a corrupção de si em favor de efemeridades e ganhos proporcionais a nossa entrega, devoção e inclusão. Quanto mais seleto for determinado grupo, maiores deverão ser os nossos esforços para penetrar nele, já que isso nos reserva grandes ganhos.

A verdade é que isso não passa de uma redução a níveis desprezíveis da existência. Se desde as primeiras infâncias fôssemos orientados a fazer coisas que realmente nos engrandecem como pessoas, que nos permitem acumular valores e a aprimorar a nossa estrutura ética e moral, inevitavelmente seríamos adultos mais propensos a empatia, ao respeito com as decisões de outros e menos polarizados, já que poderíamos, acredito eu, entender que não limites para os caminhos a seguir e se há, eles se confundem com o número de habitantes que ocupa esse planetinha de grandeza duvidosa.

Infelizmente, devido a um processo multi complexo de fatores, nos damos conta disso um pouco tarde, já adultos, com opiniões formadas, conceitos enraizados e o pior, doutrinados e temerosos por romper esses laços que acreditamos já pertencerem a nós. Esse despertar costuma provocar desconforto e até dor. É quando olhamos perifericamente, e não nos sentimos tão úteis, amados e felizes no meio em que estamos. Começamos a perceber que que estamos cedendo e renunciando a intimidades em demasia em favor de migalhas…O custo benefício acusa prejuízo e ninguém nasceu para perder. Normalmente, esse abrir de olhos nos encaminha a um tipo de isolamento. Renegamos algumas pessoas, nos afastamos de outras, mantemos distância desse ou daquele indivíduo e de repente, o cérebro se desespera, afinal, a origem mais primitiva insiste em nos fazer lembrar que somos gregários e que precisamos do convívio.

E agora, o que fazer? Ter calma, diria eu. Se fomos empurrados a viver dessa maneira desde sempre e alicerçamos nossas escolhas baseados nessa “empurroterapia”, é preciso paciência para acertar os ponteiros e retomar a viagem com mais segurança e firmeza. Recolher-se em algum momento da vida é fundamental para nos conhecermos melhor e uma vez sabedores de quem somos, muito provavelmente deliberaremos cientes do que nos é ou não benéfico e salutar. As vezes é preciso recomeçar dizendo apenas “nãos”, o que é uma maneira de se levar ao auto conhecimento; se sabemos o que não queremos, isso nos levará, certamente, aquilo que realmente queremos, seja por filtragem, seja por eliminação, seja o que for.

O mote desse texto é simples: Se você está vivendo de maneira que se sente forçado, impelido a falar com pessoas que não gostaria, se você se sente sugado por alguém, se realiza um trabalho que não te produz alegria e satisfação, é hora de parar e avaliar se você está no lugar certo. Contrariando a quantidade crescente de habitantes no mundo, ainda há um lugar especial reservado para todos nós e para encontrá-lo, basta que você seja sincero consigo e avalie, calmamente, tudo o que está acontecendo em sua vida, sem pressa ou pressão. Admita se estiver errando, perdoe se estão pisando na bola com você e se livre do peso de fazer o que não gostaria de estar fazendo, isso faz parte da construção do ser, embora, reforço, tudo seria diferente se desde o berço os métodos fossem outros, mas isso é ir longe demais e forçar uma tentativa de recuperar um passado distante, imutável.

Mudemos então o presente para construir um futuro mais pleno e isso começa já, desligando o modo automático e observando com minudência, o seu comportamento, suas atitudes e tudo o mais que você vive hoje. A mudança implica em flexibilidade, não exatamente só em luta. Seja maleável com aquilo que você acha que ainda não consegue superar e aos poucos vá atualizando sua estratégia. Logo você encontrará um meio sadio e favorável para aplicar para sua vida, tudo aquilo que deseja por inteiro e verá que ceder a uma “premissa social” é fadar-se ao fracasso de si e ninguém, absolutamente ninguém, nasceu para ser um perdedor. Se foi por amor que nos ensinaram coisas de pouca utilidade hoje, que seja também por amor que você renuncie a elas e mude. Como afirmara o filósofo alemão Nietzsche, “Aquilo que se faz por amor, está sempre para além do bem e do mal.”

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Flavio da Luz

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There is 1 comment

  • Cida Ribeiro disse:

    E a gente nunca (quase nunca) entende que o tempo voa, que os amores são urgentes, que nenhum sorriso é o mesmo de ontem. E quanta vida se perde em bobagens… Texto irretocável, Flávio da Luz.

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